domingo, 9 de junho de 2013

EU QUERIA SER IGNORANTE

Certa vez o diretor de marketing de uma das maiores empresas do ramo de alimentos do mundo me disse que eu era uma pessoa inteligente e de raciocínio lógico e que isso poderia me trazer problemas.
De imediato eu não entendi muito bem, mas depois eu percebi que o que ele quis dizer é que eu teria dificuldades de entender e aceitar as coisas que não têm lógica, ou seja, eu teria problemas em acreditar no improvável.
Infelizmente, a vida me mostrou de forma dura e implacável que ele tinha razão. 
Quando você é conhecedor de "certas coisas" a sua fé nas pessoas e que tudo pode mudar acaba e você acaba sem rumo. Você fica perdido e eu, um homem de 41 anos, muitas vezes me pego como se estivesse nos piores dias de um adolescente.
Daí a vontade de ser diferente. Adoraria ser ignorante, ser menos inteligente mesmo. Não, não sou um gênio, não tenho a pretensão de carregar o peso de ser o maior ou melhor em coisa nenhuma, só gostaria de ter mais fé no improvável. Não sei como estão os órfãos da África, os sertanejos no árido nordeste, ou os filhos e netos da guerra da Chechênia, então não me preocupo com isso.
Acho que se assim eu fosse, talvez fosse mais feliz. Talvez, ignorando certas coisas acreditasse em outras e a fé na vida voltaria.
O duro de ser assim é ter a certeza de que as pessoas e as coisas não mudam. Que o ser humano é egoísta por puro instinto e que o problema do outro sempre é menos importante que o seu. 
Queria ser mais ignorante, talvez assim eu seria simplesmente feliz.