sábado, 25 de janeiro de 2014

ROLEZINHOS, BBB´S E FUNK CARIOCA: A SÍNTESE DA FALÊNCIA CULTURAL DO NOSSO POVO

Meus amigos e minhas amigas, alguns assuntos que vem dominando as rodas de conversas, debates e pautas de jornais e outras mídias, demonstram de forma clara o lamaçal existente no fundo do poço do nosso sistema educacional e sintetizam a falência absoluta da cultura do nosso país.
Ao ver um jovem protestar pelo direito de “dar um rolezinho” organizado pelas redes sociais com dezenas, ou centenas, de outros jovens que não quer apenas se sentir integrado, mas, sim tornarem-se fortes por estar em grupos e assim se eximirem de cumprir as regras dos locais onde esses encontros acontecem, geralmente, shoppings, podemos ver a que ponto chegou nossa sociedade. Assim como o funk carioca, o qual pode receber qualquer denominação, menos ser chamado de música, pois a essência de uma música é ser feita por musicistas, pessoas que dedicam boa parte de suas vidas ao estudo dessa nobre arte e não por seres que se aproveitam da falta de cultura de uma geração que prefere fotos “selfie” a um bom livro, para ganhar alguns trocados, em parcos casos, alguns graúdos, vendendo baixarias, sexualidade e ilusões de uma riqueza fugaz.
É óbvio que não sou contra os jovens se reunirem ou quererem “curtir” a vida, o X dessa questão é algo muito mais profundo.
Não é á toa que tais manifestações emergem, em sua maioria, das periferias, pois é lá onde as carências são maiores e os descasos mais evidentes. Um empobrecimento cultural que alimenta uma rotina de pouco acesso ao lazer, escolas abandonadas pelo governo e depredadas pelos alunos, professores e outros profissionais da educação desvalorizados e desmotivados, crianças que sabem beber, fumar e fazer sexo, mas, não sabem qual o nome da capital do país, crianças de várias idades que têm o “hábito” de depreciar a importância da educação para o futuro, pois a falta de tudo fomenta seus imediatismos e os faz manter-se em sua zona de conforto da irresponsabilidade e do papel de vitima do “sistema”. Junte tudo isso e o resultado é o que vemos por aí.
Assim como os “rolezinhos” e o funk carioca, o global BBB que empobrece ainda mais a programação da TV há catorze anos, pode ser considerado um prato pronto dessa receita elaborada para satisfazer “paladares” pouco exigentes.
O que me deixa intrigado é que alguns podem dizer, “ah, mas tudo isso é só entretenimento”! Pode até ser, mas quem decretou que para entreter é preciso ser tão pobre de qualidade? Será que a criatividade do ser humano mingua-se ao ponto de ter que apelar para os nossos instintos mais primitivos, como o sexo, para que possamos produzir algo que nos distraia e nos divirta nos momentos de relaxamento e ócio? E quem disse que entretenimento não afeta os rumos de uma sociedade? Assim como jogos violentos motivam jovens americanos a cometerem chacinas em escolas, a banalização do sexo reflete na falta de compromisso de jovens brasileiros com o respeito ao espaço e gosto alheios, obrigando, por vezes a todos escutarem os lixos que saem de seus celulares.
Mas, como disse antes, a esses jovens cabe a menor parcela dessa culpa.
A culpa maior é minha, é sua, é de todos nós que não temos mais tempo de educar, que lutamos pela aprovação da lei que não permite dar palmadas em crianças, que não refletimos melhor sobre alguns pontos do Estatuto da Criança e do Adolescente, como a maioridade penal, por exemplo, que não acompanhamos o dia a dia das escolas, que não valorizamos os professores, dos professores que não se valorizam, da polícia que não consegue policiar por falta de estrutura e salários irrisórios, por nos atermos a jogar a culpa nos políticos, que também têm sim sua parcela, mas não toda, por permitimos que nossas crianças passem mais tempo na internet que conosco, por comodismo mútuo e por que, a cada dia, nós deixamos que os valores fundamentais da família sumam junto com a educação de nossas crianças.

É, a culpa é minha e sua também.