terça-feira, 6 de maio de 2014

BERRANTE DIGITAL: GUIANDO E ABATENDO

Meus amigos e minhas amigas, por esses dias aconteceram dois fatos que mostraram de forma clara a força e as proporções que uma informação, verdadeira ou não, pode tomar nesses tempos de internet, redes sociais e facilidades de acesso às mídias de grande abrangência.
No primeiro caso está a história da banana jogada no campo, o que de fato aconteceu, e a articulada ação posterior que “viralizou” o termo “somos todos macacos” (viralizar é o termo usado para dizer que algo se transformou em um “viral”, espécie de modismo digital).
Sem julgar a nobreza da luta contra o preconceito, será que podemos valorizar uma ação oportunista e planejada na qual utilizou-se a boa fé de pessoas completamente desavisadas sobre a tal?
O X dessa questão é que quando se lança algum tipo de campanha cujo mote possa deixar as pessoas em paz com sua consciência e faze-las sentirem-se engajadas em alguma causa nobre, normalmente, não existe a preocupação em checar a veracidade das informações viralizadas ou a credibilidade dos agentes propagadores, afinal o slogan é bacana e é bom para sua imagem, agora se é verdade ou não, não interessa. Mesmo que por trás disso você esteja sendo usado, sendo manobrado e conduzido como gado no pasto para que os articuladores alcancem seus objetivos, a luta em si lhe parece nobre e oportuna e o preço desse conformismo você pagará depois. Será que debatedores de plantão notaram a semelhança?
O outro exemplo é de gravidade muito maior e mostra que através de uma falsa informação divulgada por criminosos em redes sociais a vida de uma pessoa pode ser tirada sem a menor cerimonia. O caso da mulher que foi linchada no Guarujá por se parecer com um “retrato falado” de uma suposta bruxa (pasmen!) que teoricamente sequestrava crianças para possíveis rituais de magia negra. É muita suposição, não? Pois é, mas a julgaram, condenaram e sentenciaram-na a morte sob a luz de um ódio que espalhou-se como uma Tsunami, levando possivelmente até pessoas de bem a se tronarem assassinos cruéis. Tudo isso, como consequência de um boato publicado na internet.
Esse fato nos causa revolta e nos inunda de um temor que nos meus tempos de criança não existia. Não é o medo de bruxas é o medo de que em qualquer momento a irresponsabilidade de algum imbecil possa causar novas tragédias. Ter a sensação de que você, eu ou qualquer um possa ser alvo de uma fofoca, um boato, uma calúnia, uma injúria ou difamação e que isso pode arruinar nossas vidas é como se uma arma pairasse engatilhada em nossas cabeças.
É por essas e outras que combato tão fortemente as asneiras publicadas nas redes sociais e que uso a política como viés da mina luta.
Eu fui vítima de uma mentira que atingiu minha vida profissional e consequentemente a vida da minha família, pelo simples fato de eu fazer parte de um grupo político adversário dos apoiadores do meu algoz.
Por isso não consigo ver nobreza na luta de malandros que utilizam a boa fé das pessoas, pois essas estão alheias aos reais objetivos dessa trupe. Ninguém lutaria com tanto afinco e em tempo integral contra um governo se não tivesse grandes interesses por trás.

Isso ficou claro quando as mesmas figuras deram “abrigo” digital à calúnia que me condenou por algo que nunca fiz, pois foi ali que acabou a minha ingenuidade.